terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

USP, here we go again!


Você mal conseguira dormir na noite anterior. Seus pensamentos viajavam ansiosos até o dia seguinte, quando começariam suas aulas na faculdade. Definitivamente, o primeiro dia do resto de sua vida.
Você não é nenhum calouro no quesito "primeiro dia de aula". Afinal, a peregrinação à Meca Educacional deve ter tomado mais de dez anos de sua vida, sem contar a pré-escola e o cursinho.


No entanto, o começo da graduação traz um sabor de conquista e um sentimento de novidade que te carregam por uns bons meses. Está você lá, todo pimpão e feliz, pegando o circular depois de descer do trem e olhando, curioso, para todos os cantos daquela verdejante e ensolarada cidade universitária. Sim, você passou na USP. Já tratou de comprar sua camiseta da faculdade, xerocar todos os textos da bibliografia - descobrindo, tarde demais, que não vai ter tempo de ler nem metade deles - e claro, ficar perdido e confuso com tantas informações bagunçadas nos murais.


Daí, muito mais cedo do que você imaginava, o sentimento de novidade supracitado expira seu prazo de validade e o sabor da conquista desaparece de sua boca mais rápido que brigadeiro em festa de criança (bom, até você pegar outro brigadeiro... ou a bandeja de brigadeiro...) . Quem poderia imaginar que seis anos passariam tão rápido?


Hoje é o primeiro dia de aula do seu último ano e, mesmo que o cansaço em encarar o circular lotado, as aulas intermináveis e as quilométricas filas da xerox (sim, por alguma razão desconhecida, você ainda insiste em tirar cópias e mais cópias) seja desgastante, você sabe lá no fundo que esta é sua última chance. Você é macaco velho agora, conhece todas as rotas de ônibus, os horários de funcionamento dos departamentos e está calejado com as gambiarras e trapaças do Júpiter. Você quer ir embora, seis anos são demais! Mas, verdade seja dita: as saudades destes anos incríveis e sem igual vão permanecer por muito tempo e estarão eternizadas no hall dos melhores momentos de sua vida, quando ela se resumia a trabalhos em cima do prazo, risoles oleosos na Sociais, discussões sócio-economico-histórico-filosóficas suuuuper pertinentes e uma satisfação enorme de não precisar pagar faculdade (hahaha! #chupamackenzieforever).


Sem dúvida.


***


Em tempo: 1. Estou no sexto ano e não tenho uma camiseta da USP. Way to go girl! 2. Tenho fé de que vou reler e resenhar todos as cópias que fiz, principalmente as que falam sobre a dialética hegeliana #ahtá... 3. Só porque este é meu último ano, resolveram renovar toda a mobília das salas de aula e instalar computadores novos na pró-aluno, com direito a tela de LCD, teclado macio e Windows 7. Hum, não gosto de Windows mesmo... #soberba


:D

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A sorte com cobertura de chocolate


Ontem, de modo completamente inesperado, fui agraciada com dois presentes de uma vez! Não estou aniversariando e nem tenho namorado rico ($! $!), mas por algum motivo ainda desconhecido por mim, tive a agradável visita da Dona Sorte. Ela entrou aqui em casa, tomou um cházinho e, dando claros sinais de ter gostado da recepção, resolveu ficar para o jantar.

Explicando melhor, eu fui sorteada através do Twitter em duas promoções bem diferentes. Uma mochila seria dada aos seguidores do perfil do Salão do Estudante, evento de intercâmbios para o exterior ao qual tenho comparecido quase todos os anos nessa minha longa empreitada em estudar fora. A outra promoção, por outro lado, daria como prêmio uma agenda artesanal, daquelas estilo fofo e lindo, sorteadas pela Elo 7 e o Atelier By The Book.

Recentemente, tenho entrado nesta fissura por sorteios, promoções e afins, sonhando alto com Iphones, Ipads, carros e viagens para Disney. Me inscrevo, marco a data dos sorteios e prazos, tento inventar frases de efeito e aguardo ansiosamente para descobrir que, no final, não fui uma das ganhadoras. É um tanto quanto frustrante, mas há que se acostumar com as perdas e aprender com elas. 

Então, em um dia normal de fevereiro, la persona que aqui vos escreve tem a surpresa de ganhar em duas promoções! Duas! É como derrubar os últimos dois pinos em uma competição de boliche, ter dois pássaros na mão e nenhum voando, matar dois coelhos com uma cajadada só (alguém algum dia teve um cajado? Acho que só o Moisés mesmo...), repetir um prato de-li-ci-o-so de sua sobremesa preferida. 

Daí eu te pergunto, quais são os mecanismos que regulam a sorte? Estatisticamente (de acordo com o IBPE - Instituto Biwatry de Pesquisa e Estatística), as chances de sucesso em um empreendimento deste tipo aumenta proporcionalmente ao número de inscrições e tentativas. Afinal, só ganha (ou melhor, só tem uma pequena - mas real - chance de ganhar) aquele que colocou seu nome no cupom e jogou na urna depois de dar três beijinhos e rezar cinco ave-marias. No entanto, isso ainda não explica o raio cair duas vezes no mesmo telhado (aka minha conta do Twitter) e na mesma tarde ensolarada de uma quinta-feira abafada e sem grandes expectativas. 

Diria que a única constante desses acontecimentos foi o fator: “Sério? Eu ganhei mesmo? Nem me lembrava que havia me inscrito!” Isso é fato. Sabia dessas promoções mas meu constante fracasso em conseguir ganhar sequer uma bolinha de papel amassada me deixou desanimada para correr atrás dos resultados. O mesmo se deu quando da minha inesquecível viagem para Orlando em 2008. Eu também havia apagado da minha memória aquela prova terrível que fiz e que valia uma viagem para Disney. Tive problemas no preenchimento do gabarito da primeira prova e tinha ficado muito chateada com isso. Quem diria que 1 ano depois eu receberia um telegrama me convidando a visitar a terra do Mickey? Dentre os três melhores colocados do teste, eu fui a terceira! Passei raspando, hein?

Tanto a viagem quanto esses prêmios vieram em uma momento em que eu não estava cobrando providências da sorte para mudar minha vida. Eu simplesmente joguei as cartas, apostei no número que mais convinha e esperei - de olhos fechados - a roleta girar.

Será então que a sorte vem quando não procuramos por ela? Ou, como dizem por aí, tudo isto é obra do acaso? Olha, prefiro a definição de que nós fazemos a nossa sorte. Seria bem melancólico descobrir que nosso destino já está fatalmente traçado e que não importa seu esforço e suor para mudar. É como tentar fazer um bolo em várias tentativas (se você é como eu, uma péssima cozinheira): quando o tiramos do forno, o bolo - alter ego da sorte - pode vir queimado, solado, mal cozido ou cheirando a ovo (para evitar isso, pingue algumas gotinhas de limão enquanto estiver batendo - receita da mamãe). Mas daí, chegará o dia em que você finalmente vai acertar a mão e preparar a forma para uma sorte grande, robusta, cheia de açúcar, com cobertura de chocolate e uma bela de uma cereja no topo. 

Depois de pronta, delicie-se! Mas com moderação, sempre. Afinal, nunca se sabe quando a sorte vai resolver ir embora, satisfeita que você sabe preparar um bolo gostoso como ninguém.











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