quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Espetáculo Diário

O dia-a-dia frenético da cidade grande nos deixa bem afastados da natureza. Foi só quando me vi perto dela por aqui, sentindo a rigidez do solo e o roçar das plantas que sobrevivem neste clima árido, que lembrei o quanto o concreto cotidiano da urbe paulistana me desacostumou da beleza das árvores, da confusão de folhas ao vento, das cores do tapete de flores que se formam no chão quando elas caem. Afinal de contas, eu sou brasileira e moro em um dos países mais exuberantes no que diz respeito à natureza. 

O deserto é diferente de tudo que eu já vi na vida. Cheguei, no princípio, a imaginar que nenhum tipo de natureza poderia ser capaz de conviver com este calor dantesco. Claro, não poderia estar mais enganada. Mesmo sem possuir a frondosidade das matas tropicais, o deserto mostra o seu valor de diferentes modos. Destes, o pôr-do-sol é um dos que mais me fascina.

Foto por Ciça Prado

Fenômeno raríssimo para quem mora em uma cidade rodeada de arranha-céus e poluição intensa, não é de se admirar que eu tenha presenciado esta maravilha com muito pouca frequência em meu próprio país. Tucson, no entanto, depois de ser castigada brutalmente pelos raios de sol durante toda a manhã, recebe em seu céu este presente simplesmente magnífico, como se fosse uma tela pintada pelo artista mais talentoso que há. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

In Media Res

Tucson, 1 de agosto de 2013.
Documentar as aventuras que vivi e ainda vou experimentar nas terras áridas do deserto de Sonora e em outros cantos do mundo não deveria ser o motivo principal para escrever este blog. Tudo vem mais de uma necessidade imensa de não deixar a mente evanescer-se no esquecimento ou perder a noção e a doçura de momentos que têm tudo para serem inesquecíveis. Isto tem acontecido comigo com muito mais frequência do que deveria ser tolerado. Esqueço. Muito. Mesmo o apertar dos olhos e o franzir da testa não ajudam a recuperar as memórias que estão ali escondidas, sorrateiras, preguiçosas. A frustração maior está ai: as memórias continuam no mesmo lugar, apenas puxam o cobertor e caem em um sono profundo.
Isto é um despertador, uma maneira de agitar algumas das sensações mais deliciosas que tive na vida e refletir sobre como a minha trajetória tem sido maravilhosa, apesar de um ou outro obstáculo.
No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.
Prefiro pegá-la do chão e analisar seu formato, cores e beleza rígidas a chutá-la para o canto. Não nego a importância do olhar adiante e objetivo, mas deixar de aproveitar a paisagem ao meu redor não faz sentido. Este blog é os meus olhos perscrutando a pedra, decifrando-a. Aqui no Arizona, pedra é o que não falta.
No meio do caminho, no meio das coisas, no meio de tudo. Recomeço in media res porque já estive aqui e só olhei para frente. São poucas as vezes que nos é dada a oportunidade de experimentar algo novamente. Depois que a última gota do suco de abacaxi com laranja é sugada, o que sobra? A vontade de mais, a tristeza do vazio, o arrependimento de tudo ter passado tão rápido. A mim foi dada uma nova chance para experimentar e vou aproveitar cada gota.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Post de Transição

Enquanto isso, no lustre do castelo...

Apresento-vos um post de transição. Significa que passou-se muito tempo entre o último e este aqui. Tempo o suficiente para que ideias surgissem, mudanças fossem feitas e decisões tomadas. 

Só para avisar. 
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