sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pronta para a Labuta!

É difícil que eu consiga escrever sobre os acontecimentos de três meses, cronologicamente, em um curto espaço de tempo. Por isso, entre cada relato, vou falar sobre alguma coisa arbitrária que conta um pedacinho da minha vida aqui no Arizona. Espero que possa montar todo o quebra-cabeças mais rápido, além de pedir redenção pela minha falta de atenção ao blog desde que cheguei aqui. Sim, tenho que admitir que essa ideia foi de um amigo meu - a criatura mais chata na face desta Terra! Tu sais qui tu es! :P

Sempre lutei para diminuir a quantidade de horas que ficava preparando aulas no Brasil. Realmente, nenhum professor pode se dar ao luxo de não trazer trabalho para casa. Fora da sala de aula, temos que corrigir trabalhos, provas, atividades; dar atenção aos alunos com dificuldade e criar um plano de ajuda;  lidar com os problemas extra-classe deles (alto grau de ansiedade e stress, situação complicada no trabalho, problemas com a família, cachorro que come lição de casa... a lista só tende a aumentar!). Junto com tudo isso vem a preparação de boas aulas, que sejam compreensíveis para os alunos e que vão ajudá-los a adquirir a língua de um modo divertido, descontraído e efetivo. Por esse motivo, ficar trabalhando nas aulas até muito, muito tarde da noite era rotina. 

Aqui, devo dizer que a vida é bem mais tranquila. Apesar de ter muito mais alunos por sala do que nos meus empregos no Brasil, só tenho duas turmas. A cobrança ainda sim é bem grande, já que estão todos aprendendo a língua portuguesa no nível universitário. Estas aulas de línguas são dadas por alunos de pós-graduação que, por trabalharem para o departamento, tem a mensalidade da faculdade toda quitada. Maravilha, não? Depois explico como isso funciona. Estes alunos, chamados de GATs (Graduate Teaching Assistants), trabalham em seus projetos de mestrado e doutorado ao mesmo tempo que dão aulas. Muitos deles reclamam que isso dificulta o desenvolvimento de suas teses e dissertações. Mas, poxa vida, fico comparando com minha vida de professora no Brasil: trabalhava em três lugares, tinha que preparar umas 10 aulas diferentes, perdia um tempo incrível tentando oferecer o melhor pros meus alunos para receber uma ligação cancelando a aula meia-hora antes; ganhava pouquíssimo e ainda tinha que aturar as pessoas ao meu redor dizendo que professor não trabalhava de verdade. Ah, me poupe! (depois de ler essas frases, aquele meu amigo chato vai dizer: "Viu? Eu te falei!")

Bom, toda essa ladainha aí em cima é pra mostrar a foto abaixo. Aqui, ainda fico preparando minhas aulas até tarde. Isso acontece normalmente porque me falta tempo de fazê-lo antes. Prefiriria, claro. Não há nada como a luz do sol para clarear as ideias! Quando termino, coloco tudo que preciso levar dentro da minha bolsa e deixo ali pertinho da cama. No dia seguinte, me arrumo, tomo café e parto pro mundo! O detalhe é que uso para trabalhar a minha bagagem de mão que trouxe do Brasil. Todos que olham me perguntam se eu estou de mudança. :D


Antes eu só levava a mala porque não tinha bolsa a tira colo e precisava carregar meu laptop comigo. Depois, comprei esta bolsa linda (Tommy Hilfiger - $ 25.00!) e simplemente acabei carregando tudo e mais um pouco! Salto alto, óculos escuro e passe de ônibus. Pronta pra labuta!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Até Logo

Ok, nem vou começar notando o fato vergonhoso de que a continuação do post anterior veio mais de um mês depois que o escrevi. Não vou falar disso. Vamos ao que interessa.

Acho que a primeira pessoa que vi no aeroporto foi o Juliano, depois a Micheli, depois a Jucy, e assim, um a um, o primeiro grupo de Fulbrighters brasileiros a embarcar este ano (tirando a Larissa e a Adriane que já estavam aqui nos EUA) formava a fila no check-in, certificava-se que todos os documentos importantes não tinham ficado em casa e que tudo estava pronto para aquela que seria a maior viagem de nossas vidas! Bom, da minha certamente era.

Como contei anteriormente, toda minha família estava presente. Enquanto seguia a fila com malas mais pesadas que um lutador de sumô (olha só minha tentativa infame de fazer comparações criativas... affe...), papai, mamãe, irmã, primo, titia, todos iam me acompanhando ao lado, dando aquele apoio moral.

Se pudesse, ela traria frango com farofa. Certeza!

Sabe, a família é grande e o preço dos alimentos no aeroporto assusta qualquer turista, quem dirá brasileiros na pindaíba. Assim, para que eventualmente não morrêssemos de fome a ponto de ter que comprar um pão de queijo por R$ 3,00, mamãe veio munida de duas sacolas repletas de maçãs, mexericas, bolachas de água e sal, bolacha doce, água, enfim! Sentir fome e não ter o que comer não era um problema. Olha uma das sacolas aí em cima!

Outra coisas muito legal foi que Jucy, Vivi, Juliano - que já tinham se despedido de suas famílias antes de vir ao aeroporto - se achegaram a nós e ficamos todos ali, uma família só! Vide Jucy que adotou papai e mamãe e os chamava de tio e tia todo o tempo! Sua fofa! Meus pais te adoram! 

Juliano, Jucy, eu e Vivi

A hora do embarque se aproximava e eu sabia que teria que dizer adeus para as pessoas que eu mais amava (amo) nesse mundo. Eu estava relativamente tranquila. Aquele conversê todo, comilância de mexerica e fotos tiradas ao lado de malas e carrinhos no aeroporto aliviaram a tensão da despedida e deixaram o clima muito mais descontraído. 

A hora chegara (com direito a pretérito mais-que-perfeito, porque sou uma professora de português aplicada, rs). A cada abraço que dava nos meus familiares, tentava puxar deles tudo o que vivemos e o que faz com que eles signifiquem tanto pra mim. Queria levá-los comigo, cada pedacinho, cada palavra, todo o amor... tanto amor... (ok, ninguém precisa saber que estou limpando algumas lágrimas do rosto agora... é, já foi dito... tarde demais...).

Eu choro à toa, obviamente. Engana-se porém quem acha que esta característica me foi passada pela linhagem feminina da família. Nada! Aqui o buraco é mais embaixo e só tem mulher-macho, forte, decidida! Mamãe é a prova disso! Gostaria de ser tão forte quanto ela. Meu pai e eu temos muito a aprender em relação a segurar as emoções, ficar firme. Estava assim até abraçar meu pai, dizer que o amava e ouvir um "Eu também te amo, minha filha" pelo silêncio do seu choro quase contido. Impossível de conter. Represa. Cachoeira.




Eu vi meu pai chorando e não aguentei. Só que aquelas lágrimas não tinham tristeza nenhuma. Elas eram minha maneira de dizer o quanto eu os amava e estava eternamente agradecida por ter pais tão maravilhosos, que deram 26 anos de suas vidas por mim, que passaram por tantas dificuldades e provações, que abdicaram de tudo para que, naquele dia, eu pudesse concretizar meu maior sonho. Eu devo tudo o que eu sou e tudo o que eu consegui à dedicação e amor incondicionais dos meus pais, Jô e Fernando. E da minha irmã também, claro. Mesmo sendo chata como ela é. :)


Essa foi a última foto que tiramos juntos antes da partida e a primeira vez que me vi sem meus pais ao meu lado. Bom, fisicamente, claro. Skype tá aí pra isso, né minha gente! Deixe eu também agradecer Tia Gil e Ivan por estarem comigo nesse dia e o Mancha e a sobrinha dele.

"Solteira sim. Sozinha nunca!", como diria Mulher Melancia, hahaha. Não estava sozinha, não. Mesmo completamente partida pela comoção da despedida e o adeus à minha família, sabia que estava cercada de amigos maravilhosos que estariam comigo no começo dessa jornada/aventura/viagem (não consegui sair do clichê natural dessas palavras, sorry. Devia parar de pensar sobre o processo de escrever enquanto escrevo, ou, pelo menos, não escrever sobre isso enquanto estou escrevendo sobre um assunto completamente diferente.)

Duty free shop, sala de espera, conversas, risadas, fotos, expectativas, entrada no avião. Tudo lindo, tudo maravilhoso. No entanto, havia uma pergunta que não queria calar... Cadê a Ana??? Rapaz, a Ana iria conosco até Nova York para a orientação na Universidade de Columbia. Sim, mas cadê a Ana?! Gente, esse avião vai decolar, chamem a Ana pelo altofalante! Bom, finalmente ela apareceu! Só não apareceu em tempo para a foto no avião. Ah, brasileiro tira foto em qualquer lugar. Só faltou a bandeira!

Aline, eu, Micheli, Jucy (frente), Juliano, Vivi e Thiago. Cadê a Ana???

Olha, escrever esse post quase me secou por dentro. Chorei que nem bebê só de lembrar deste dia. Ah, mas esse foi o dia que realmente iria mudar o curso de toda uma vida.

Aguardem cenas dos próximos capítulos.



PS: Sim, hoje é dia 24 de outubro e vai fazer três meses que cheguei na terra do Tio Sam. Centenas de coisas já aconteceram e realmente preciso escrever sobre todas elas. Já devia ter feito isso, claro. Já deveria ter feito milhões de coisas, é sempre assim. Mas bora lá que a gente consegue!
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