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sábado, 1 de outubro de 2011

O efêmero entusiasmo das primeiras páginas

Finalmente consegui o meu caderno/agenda/bloco de notas com folhas coloridas! A bem da verdade, não são exatamente as cores que procurava: queria algo mais forte e marcante, bem colorido mesmo. Estas cores aqui estão um pouco fracas, com exceção deste primeiro bloco no qual escrevo. Também esperava um acabamento mais refinado, com folhas do mesmo tamanho e marcador de fita de cetim. Bom, não se pode ter tudo por R$ 6,00, não é? Estou mais do que satisfeita, já que a vontade de escrever nestas folhas coloridas estava quase insuportável.

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O ônibus começou a andar. Eu ainda não dominei a invejável habilidade de escrever dentro de um veículo em movimento. As ruas de São Paulo e a suspensão desta chocoalhante Mercedes definitivamente não ajudam. Mais ainda, não gosto de enxergar garranchos em minha escrita. Já basta pecar no conteúdo, tentemos deixar a forma mais adequada, oras.
Não sei porque costumo postular os propósitos de cada um desses novos cadernos (o ônibus continua em movimento...). Já que a mania carece de explicação e não guardo nenhuma na minha algibeira, bora perpetuá-la.
Comecemos pela negativas: não é um diário, pelo simples motivo de não deitar-lhe o lápis a cada 24 horas. E, bom... acho que esta é a grande negativa definidora. Termina bem aqui a tábua das leis. O resto é resto, e permitido.

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De volta. Já estou em casa. Até que fiz um bom trabalho ao escrever dentro do ônibus.
Pensando melhor, se a cor das folhas fosse muito escura, talvez eu não conseguisse ver as letras!
Ok, estas palavras inúteis só serviram para preencher as últimas linhas.

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Ia começar com "francamente", mas advérbios me perseguem constantemente.
Estas linhas insistem em não ficar retas. Poderia economizar muito mais. Vamos lá, esforce-se, o que está aqui deveria ser minimamente significativo.
Acho que poderia começar um romance. Só retalhos. Sem maiores pretensões. Costurar tudo depois deveria ser o de menos. O que mais me preocupa é o tipo, cor e linha que vou usar. Sinceramente, também nem sei costurar muito bem. A tarefa vai tornando-se mais difícil.

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Que bom estar escrevendo à caneta. Embora não possa apagar meus erros, talvez aprenda com sua persistência. Ah, me dá gosto mesmo ver a folha cheia.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Não precisa fazer sentido

Estou em um turbilhão. Depois de tanto tempo, esta Moleskine ainda conserva o seu cheirinho particular. Que dor, que dor! Tinha certeza que isso ia acontecer, é sempre assim. Por mais que eu tente mudar e fazer diferente, acabo voltando para o mesmo lugar. Sotaque é uma coisa engraçada. Às vezes engraçado e bonito, às vezes engraçado e estranho. Estou no meio de mil possibilidades que fogem ao meu alcance. Percebo que não é possível abraçar o mundo de uma vez só (você já sabia disso...). É melhor só dar a mão, antes que ele exija o braço ou tome posse do corpo inteiro, num arroubo. Por quê ele pode e eu não? Respiro fundo e começo, recomeço (substantivo ou verbo?). Parece que hoje vai chover. Os céus preparam-se para espremer tudo o que é seu em mim. A cada frase esquisita escrita, sinto mais saudade daquela outra possibilidade, do meu antigo eu. Por quê o passado sempre parece ser melhor que o futuro do presente?

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Oi?

sábado, 9 de julho de 2011

Me conte mais sobre você...

Não sei porque me incomodo tanto em escrever em primeira pessoa. Talvez não queira praticar o pecado do egoísmo e despejar comentários inúteis sobre eu, mim e eu mesma. Por outro lado, é muito provável que a verdadeira razão esteja em admitir que os acontecimentos do meu dia-a-dia estão mais para um manual de televisão antiga do que um roteiro de cinema.

Como qualquer bom personagem, deveria ser capaz de mudar o rumo da história e tornar a minha vida muito mais atraente. No entanto, sinto-me invariavelmente presa a um narrador onisciente dos mais presunçosos, que diz sempre saber o que é melhor para mim e não aceita cortes e intrusões no seu romance.

Não conheço as respostas para as grandes questões da humanidade e, muitas vezes, nem as das coisas banais como, por exemplo, qual esmalte devo usar nas unhas ou qual exercício é o mais adequado para terminar minhas aulas de inglês. Sei de absolutamente quase nada e continuo assim. Tenho a leve e aterrorizante impressão de que o conhecimento adquirido tem crescido em uma progressão geométrica invertida, resultando em uma função nula, praticamente incógnita.

Ultimamente eu tenho tentado, sem sucesso, decifrar as idiossincrasias desse meu código estranho. Fecho os olhos e procuro por aquela fagulha bem brilhante que me mostrava todas as possibilidades  à minha frente, e ainda marcava as mais interessantes com caneta fluorescente. Conseguia ver o mundo com olhos diferentes e sentia um entusiasmo incomparável. Ainda assim, depois de muita concentração e até reza, percebo que a resposta que tanto procuro só vai aparecer quando resolver este problema e torná-lo nada mais que dois denominadores comuns, divisíveis por dois.

É uma pena que eu não seja muito boa em matemática.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pinga ni mim

E então, sem qualquer aviso ou intenção, eu sinto uma vontade quase desesperada de escrever. A agitação é grande. Procuro papel, lápis, caneta, teclado, computador, todo e qualquer meio que me faça justificar o fim esperado de uma página coberta de letras. 

Saber que a inspiração teve a bondade de passar pela minha mente vazia - habitada apenas por um pano de chão encardido e uma torneira que goteja irritantemente - traz um entusiasmo só testemunhado por um camponês que recebe a visita de sua majestade em seu humilde casebre ou de uma adolescente atendendo, ansiosa, a ligação do seu primeiro amor. 

Ah, uma respiração ressonante e profunda e a primeira frase toma forma. Como um abre-alas magnífico, ela tem a função de dar as boas-vindas a todas as outras palavras, orações e períodos que, em marcha, se apresentam elegantemente aos olhos de sua criadora. Feliz, sorrio em retorno e preparo-me para aplaudir de pé a coesão e coerência perfeitas da tessitura das ideias quando... que cheiro é esse? Fumaça, muita fumaça envolve todo o ambiente e o desfile para. O carro abre-alas apresenta problemas sérios no acelerador e não pode mais continuar. As frases que vinham logo atrás, tossindo tontas, batem umas nas outras, sem direção. O que antes era uma parada bela e organizada, vira um empurra daqui, puxa de lá, ei essa vírgula é minha, para onde você pensa que vai com essa interrogação?

Olho para a cena visivelmente desapontada, e meu sorriso de dentes largos murcha no mesmo instante em que tiro o chapéu de festas. Mais uma vez, não deu certo.

Ao fundo, só o que consigo ouvir é o som líquido e ritmado das minhas ideias escorrendo pelo ralo.


domingo, 10 de outubro de 2010

A Grande Guerra

Chegara o momento tão esperado e ao mesmo tempo tão temido. Confrontar aquela página em branco e superar o desafio de preenchê-la com as suas ideias e cadeias de sentenças era uma guerra declarada. Em frente à folha de papel em cima da mesa ou mesmo à tela do computador, o desconforto era iminente. Os olhos encolhiam, perscrutando um espaço possível onde as palavras fossem apropriadas e fizessem sentindo. Como uma metralhadora frenética, as balas da arma eram substituídas por letras que alvejavam todo o papel branco, agora cheio de furos, feridas, palavras. A tensão era crescente. Uma vez ou outra, aquela cor parecia tomar sua mente e expulsar todas as frases, notas, ideias, todas as… deu branco. Branco! Nem mesmo a troca por uma folha reciclada resolvera o problema… deu pardo! Pardo! Respira fundo, respira. Onde estão as palavras? Atemorizadas, se escondem nas trincheiras mais profundas da mente ao serem tomadas pela explosão de uma das armas mais letais: o Esquecimento. Parente próximo do Bloqueio, ele vem sorrateiro, no momento mais inadequado, e derrota as palavras sem piedade. Estas fogem como formigas fogem da água, enlouquecidas, correndo para todos os lados, separadas. Se elas soubessem que assim, longe uma das outras, não vão conseguir lutar contra esse inimigo tão brutal! Se soubessem da força que sua união engendra, elas poderiam derrotar exércitos inteiros! Sua tecitura magnífica formando orações, períodos compostos, frases, parágrafos, textos, livros! Ah! A guerra é exaustiva. Muitas vezes, o inimigo sai vitorioso e se gaba copiosamente, jogando na cara do escritor a sua inabilidade com as palavras. Nas outras poucas vezes, as palavras recobram sua força inata e, como imãs-irmãs, juntam-se para levar a cabo seu propósito no mundo.

Hoje, a vitória foi delas.

sábado, 29 de maio de 2010

750 Words

Já teve aqueles momentos em que você pensa em algo bem interessante para escrever, fica matutando a ideia na cabeça mas, no final, ela acaba indo embora magicamente do mesmo jeito que chegou? Isso geralmente acontece sem nem você ter tempo de colocar tudo em palavras. Pois bem, o site 750 Words foi criado para resolver esse problema.

Ele parte do princípio de escrita diária, feita geralmente de manhã (mas pode ser feita também em qualquer outro período do dia), enquanto suas ideias ainda estão fresquinhas. É como quando temos um sonho muito bom e, segundos depois que acordamos, a lembrança dele vai ficando menor e menor, até sumir completamente. A ideia é que você possa escrever no site sobre tudo aquilo que passa pela sua cabeça e que ainda não foi totalmente filtrado, organizado, censurado e/ou editado por você.

O conteúdo do que se escreve é privado. Não é necessário que ninguém leia ou saiba o que você está pensando. No entanto, se o desejo é mostrar para os quatro cantos do mundo, copie diretamente em um blog ou diminua seus pensamentos mais ainda em 140 caracteres. O 750 Words funciona como uma prévia, um começo, algo que formalize todos aquelas possibilidades legais, ideias engraçadas, teorias loucas que temos e que pensamos que podem dar em boas histórias.

De acordo com Buster Benson, seu criador, 750 palavras equivalem a umas três páginas e, se você levar a brincadeira a sério, isso pode se tornar um exercício bastante interessante para ajudar no desenvolvimento do processo criativo na hora de escrever. Eu realmente preciso desenvolver meu processo criativo...

Você pode escrever menos que 750 palavras, até 750 palavras ou mais que 750 palavras, a escolha é do freguês. Só que para deixar as coisas  mais interessantes, Benson propõe um ranking com a frequência de entradas no site. Com muito humor, há a proposta de se escrever todos os dias, durante um mês, e quem assim o faz (ou não) entra para a Wall of Awesomeness (ou para Wall of Shame). Para aceitar o desafio, você deve "assinar" um contrato em que se compromete a terminar a tarefa. Olha só o meu:


Você também pode customizar a página em que se digita, rastrear o que você escreveu em dias anteriores e até mesmo analisar tendências emocionais dos seus textos através da frequência em que algumas palavras aparecem.




Olha, achei a proposta muito legal, principalmente porque vai me ajudar a organizar minhas ideias e criar constância no ato de escrever. Um dos assuntos mais predominantes no que escrevi neste meu primeiro dia foi a dificuldade que encontro em escrever no blog, muito provavelmente por ele está aberto à apreciação pública. No 750 Words, todavia, meus dedos não paravam de bater nas teclas do computador! 

Mas, pensando bem, olhá só o tamanhão desse post! Já tá dando resultado o negócio, eita!
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