No entanto, escrever em um computador é sim diferente de escrever com caneta e papel, não somente no aspecto material e prático da coisa. Escrever com uma caneta ou lápis é como desenhar em cima da folha e deixar sua marca com o que você registra, com seu estilo literário; muito mais, ao escrever no papel deixamos nossa impressão de como aprendemos a relacionar as palavras, a juntar as letras, cortar o T, fazer o A, colocar pingo no I e tantos outros macetes que só conhecemos nos primeiros anos de escola.
Hoje em dia, na faculdade, quase todos os alunos trazem um netbook para as aulas, e o que mais se ouve é o bater dos dedos no teclado (aliás, o som que minhas unhas fazem ao bater no teclado do meu laptop foi o que me motivou a escrever este texto. Tô precisando cortá-las. Quando você começa a digitar com suas unhas e não com a ponta dos dedos... é um sinal. Mas elas estão tão lindas assim... Acho que vou só pintar, :P). E vou te contar que nas aulas encontro a minha única oportunidade de continuar escrevendo no caderno, com caneta multicolorida (daquela que tem quatro cores e que faz barulho na hora de trocar, sabe?). Às vezes, o ritmo da aula é muito rápido e não dá para anotar tudo que o professor fala. Isso dá motivo suficiente para você achar que deveria também ter levado seu notebook para aula e facilitado as coisas. Mas, no final das contas, vale a pena. Escrever em uma folha de papel deixa um registro realmente físico daquilo que você fez. Não estou desmerecendo textos feitos em computador, mas não podemos esquecer que tudo é virtual e pode ser apagado apenas ao pressionar um botãozinho. E não é tudo que se imprime, não é?
Penso muito sobre o que nossa geração vai deixar para a posteridade. Quando os arqueólogos descobrem escritos antigos em pedras, papiros esquecidos ou até mesmo desenhos em cavernas, aprendemos um pouco mais sobre a vida dessas pessoas que não existem mais. E nós? O que vamos deixar? Será que os textos escritos na Internet poderão ser "descobertos" num futuro próximo?
Claro, volto a citar a praticidade do computador, a rapidez da digitação e, bem importante, a economia de papel! De fato, quantas árvores você não derrubou amassando uma folha inteirinha e arremessando na lata de lixo?
Ainda sim, acho que a rapidez que a tecnologia proporciona acaba fazendo com que muita coisa passe batido. As pessoas revisam menos e dependem absurdamente dos revisores automáticos. Estou usando uma agora que me corrige ao digitar, olha só. Imagine o caos que seria se todos os revisores ortográficos do mundo parassem de funcionar? Voltaríamos ao dicionário e aprenderíamos como escrever a palavra, como sempre fizemos. Muita gente hoje em dia confia mais na tecnologia do que no bom senso...
É, em casa de ferreiro o espeto é de pau. Este mesmo texto que reivindica a importância do escrever com caneta está sendo redigido com minhas batidinhas frenéticas no teclado. Fazer o quê...? Gostaria apenas que nós não esquecêssemos o quão bom é lembrar da sua própria caligrafia uma vez ou outra. Não deixe isso reservado às suas assinaturas, rubricas ou autógrafos ;). Afinal, o trabalho de sua professora da 1ª série que lutou tanto para que você aprendesse a escrever vai ser totalmente em vão (beijos Profª Sandra!).
Aqui vai uma singela homenagem a mim e a todos os orgulhosos canhotos do mundo! Afinal, dá para ser canhoto usando computadores que são feitos por e para destros??? Temos que apelar para a adaptação. De fato, só escrevo com a esquerda. Tive que aprender a fazer todo o resto das coisas com a outra mão... Veja só que coisa...

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