domingo, 8 de julho de 2012

Um Bom Motivo

Faz meses que não escrevo neste blog. A última postagem data do ano passado, quando meu entusiasmo criativo já estava arrefecendo e a preguiça era muito, muito mais comum. A volta, como diz o título do post, tem uma boa razão. Boa não, louvável. Melhor... incrível!
Lembram-se daquelas histórias sobre intercâmbios, viagens ao exterior e planos mirabolantes que eu tinha sobre estudar nos Estados Unidos? Pois bem, aqui vamos nós!

Ainda parece muito difícil de digerir tudo que tem acontecido nestes últimos meses, desde quando recebi a notícia de que havia sido escolhida pela Universidade do Arizona para ser uma de suas professoras de português. Espere aí, estou começando in media res e há muito a ser dito sobre o fato de que, em pouco mais de 20 dias, estarei com malas prontas para morar no Deserto de Sonora!

Olha, provavelmente não vou me lembrar de tudo que fiz, que senti e quais pensamentos eu tinha no começo do ano passado, quando ouvi falar do programa FLTA (Foreign Language Teaching Assistant) da Comissão Fulbright. Pensando cá com meus botões, acho que descobri sobre esta organização fuçando o site do Consulado dos Estados Unidos no Brasil. Ainda estava terminando a faculdade na USP e, de acordo com meus planos, qualquer viagem que faria só poderia acontecer depois que tivesse completado todas aquelas intermináveis horas de estágio. Então, enquanto me virava com dezenas de relatórios, trabalhos desnecessariamente complexos, preparação de aulas de inglês e um projeto de mestrado ainda fracamente concebido, apertava o F5 no site da Comissão Fulbright no Brasil a fim de saber quando as incrições para o FLTA abririam. Sério, eu fazia isso todos os dias. De manhã, logo depois do café, F5 e um suspiro de resignação.

Qual não é a minha surpresa quando, em um belo dia, lá pelo meio de junho ou julho, não sei, as inscrições tinham sido abertas! Corro como louca até minha mãe, falando desconexamente sobre uma bolsa para dar aulas de português nos EUA, que eu iria me inscrever, que ia ser muito legal, que eu tinha muitas coisas a fazer, que ela deveria começar a tomar as suas doses de insulina sozinha já que eu não estaria mais aqui para ajudá-la... enfim, tava louquinha da silva.

Mãããããããããããããããããããeeeeeeeeeeee!

No entanto, o caminho a ser percorrido era muito longo. A inscrição terminava em dois meses e eu teria que juntar documentos, comprovantes, diplomas, cartas de recomendação, redações super criativas e bem escritas... tantas coisas! Algum tempo depois de ter enviado o formulário com tudo que deveria, recebi um e-mail da Rejania. Ah, meus colegas Fulbrighters bem sabem como é maravilhoso receber um e-mail da Rejania! Ela é a coordenadora de progamas da Fulbright e responsável por comunicar nossa seleção nas fases do processo seletivo. Envio de documentos, entrevista por telefone com a Comissão Fulbright e a Capes (tem-se que dizer, sem o financiamento deles, isso não seria possível nesta escala), preenchimento de questionários... Cansativo, doloroso, e quanta ansiedade!

No final do ano passado, recebi um e-mail que comunicava minha seleção... como suplente. Só iria se um dos candidatos recomendados desistisse da vaga. Mesmo torcendo para que alguém engravidasse, ganhasse na loteria ou decidisse ficar no Brasil este ano, sabia que ninguém iria deixar passar uma oportunidade tão incrível como esta. Eu não iria. Nunca

Não sei se acredito em destino e que certas coisas estão marcadas para acontecer. Gosto de acreditar que eu sou um agente importante e responsável pelas decisões que tomo em minha vida. Neste momento, infelizmente, a decisão não dependia de mim. Enchi-me de resignação e fui viver minha vida: trabalhando que nem um cavalo, comecei um curso de Intérprete em Língua Inglesa na PUC (dizia eu que era saudade de estudar... hum...), planejei montar um ateliêr de artes/sala de aula no quintal de casa (construído tijolo por tijolo pelo meu querido pai). Pensei até em investir em outra coisa bem grande, mas nada à distância funciona, eu bem sei disso.

Daí, no dia 16 de abril de 2012, três dias depois do meu aniversário, e-mail da Rejania! A pedido da coordenação do programa nos EUA, eu teria que traduzir meus documentos. Cara, isso aconteceu meeeeeeses depois da última comunicação e sim, já tinha perdido as esperanças. Ainda sim, devo admitir que fiz minha mãe aprender a tomar insulina sozinha. Costumava dizer para ela: "Vai saber, né mãe? Quem sabe sou selecionada. De qualquer modo, é melhor a senhora fazer isso sozinha mesmo." Batata!

7 de maio de 2012. Recebi o e-mail com o match da Universidade do Arizona! Uau! Eu simplesmente iria para os Estados Unidos, com tudo pago, para dar aulas de português em Tucson, no Arizona! Tinha que ler um monte de documentos, assinar tantos outros, escaneá-los, mandar tudo para os órgãos responsáveis. Ah, EU FUI SELECIONADA!!!

22 de maio de 2012. E-mail com os detalhes da Summer Orientation, evento do qual todos os FLTAs participam antes do começo do seu programa de estudos/trabalho na instituição que os selecionou. Onde será minha SO? NOVA YORK! 

(Apesar do tamanho do post, estou pulando vários detalhes. Eles virão com o tempo.)

6 de junho de 2012. Rejania finalmente libera o contato de todos os FLTAs selecionados no Brasil, cada um indo para um local diferente nos EUA. Ah, que alívio poder conversar e desabafar com seus iguais! Pessoas que estavam passando pela mesma crise de ansiedade e nervosismo que me acometeu desde a comunicação da seleção. 

28 de junho de 2012. Todos os FLTAs de todos os cantos e recantos do Brasil se encontram na cidade de São Paulo, na Alumni Jardins. Lá, conhecemos a fofa da Rejania e assistimos às palestras de duas ex-FLTAs. Nos confraternizamos, tiramos fotos, uma galera super legal e gente boa!

29 de junho de 2012. Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, em São Paulo. Não entramos pelo portão dos pobres mortais, hehehe! Pô, há que se dizer, fomos tratados a pão de ló! Assistimos palestras, almoçamos no Consulado, tínhamos um crachá de "Visitor - Escort Required" (hehehe) e, para terminar, passamos na frente de todas as madames na fila! Hauhauhauha! Afinal de contas, éramos Fulbrighters! Pelas palavras dos palestrantes no Consulado, tínhamos tudo para nos acharmos as 35 últimas bolachinhas no pacote. :)

Bom, melhor dizendo, SOMOS FULBRIGHTERS! Vamos todos fazer um trabalho incrível nos Estados Unidos, ensinando nossa língua portuguesa, mostrando a cultura brasileira e tendo a melhor experiência possível por lá.

My dear fellow Fulbrighters!
Este é o motivo para recomeçar a postar no blog. É por aqui que vou contar minha história nas terras áridas de Tucson, AZ.

Bring it on! \o/




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