quinta-feira, 1 de agosto de 2013

In Media Res

Tucson, 1 de agosto de 2013.
Documentar as aventuras que vivi e ainda vou experimentar nas terras áridas do deserto de Sonora e em outros cantos do mundo não deveria ser o motivo principal para escrever este blog. Tudo vem mais de uma necessidade imensa de não deixar a mente evanescer-se no esquecimento ou perder a noção e a doçura de momentos que têm tudo para serem inesquecíveis. Isto tem acontecido comigo com muito mais frequência do que deveria ser tolerado. Esqueço. Muito. Mesmo o apertar dos olhos e o franzir da testa não ajudam a recuperar as memórias que estão ali escondidas, sorrateiras, preguiçosas. A frustração maior está ai: as memórias continuam no mesmo lugar, apenas puxam o cobertor e caem em um sono profundo.
Isto é um despertador, uma maneira de agitar algumas das sensações mais deliciosas que tive na vida e refletir sobre como a minha trajetória tem sido maravilhosa, apesar de um ou outro obstáculo.
No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.
Prefiro pegá-la do chão e analisar seu formato, cores e beleza rígidas a chutá-la para o canto. Não nego a importância do olhar adiante e objetivo, mas deixar de aproveitar a paisagem ao meu redor não faz sentido. Este blog é os meus olhos perscrutando a pedra, decifrando-a. Aqui no Arizona, pedra é o que não falta.
No meio do caminho, no meio das coisas, no meio de tudo. Recomeço in media res porque já estive aqui e só olhei para frente. São poucas as vezes que nos é dada a oportunidade de experimentar algo novamente. Depois que a última gota do suco de abacaxi com laranja é sugada, o que sobra? A vontade de mais, a tristeza do vazio, o arrependimento de tudo ter passado tão rápido. A mim foi dada uma nova chance para experimentar e vou aproveitar cada gota.

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