por Beatriz Carneiro
I
É uma máquina incansável, verdadeira minhoca automática que percorre os subterrâneos daquela cidade fria. Quando chega, emitindo um som que os ouvidos mal conseguem suportar, regurgita de sua barriga um sem número de praticamente todo mundo. Eles saem em bando, desnecessariamente apressados, como se estivessem culpa de ainda não terem chegado a lugar algum.
II
Lá vem eles mais uma vez, consigo saber pelo som estridente da máquina que os carrega. Eles ainda saem em bando, apressados, como se juntos soubessem que estão mais seguros. Tática de guerra espartana.
Eu os vejo andar, estupefata. Todos passam resolutos, seguindo o mesmo caminho. Vez ou outra, alguns desviam o olhar e o depositam em mim. Naturalmente, nada vêem. Apenas uma sombra difusa e incerta que tentar falar sem ser ouvida.
Lá vem eles mais uma vez...
III
E quando estas estruturas do metrô se tornarem ruínas e virarem objeto de estudo de ávidos historiadores, cientistas, sociólogos, astrólogos e adivinhos? “Era um local amplamente utilizados para corridas. Veja só a extensão desta pista!”, diria um. “Na verdade”, outro replicaria, “as instalações encerravam uma piscina subterrânea, única alternativa para os banhistas diante da avançada poluição das águas na época.” “Ah, bobagem! É claro que isso era um templo construído em adoração ao deus “A Grande Minhoca Prateada”, e por esses túneis os fieis percorriam para propagar as boas novas.”
Esse foi o que chegou mais perto!
Estação Largo 13 do Metrô de São Paulo, 7:00 da manhã, Outubro de 2010.
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