sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Das Maneiras de Perder um Voo

Os posts a seguir terão um caráter bem retrospectivo. Mesmo fazendo 11 dias desde a minha chegada aos Estados Unidos (na verdade, já faz um pouquinho mais de um mês - escrevi isso há duas semanas e só estou publicando agora... shame on me!), preciso registrar tudo o que de incrível aconteceu comigo desde que arrumei as malas até estar aqui sentada no carpete ao lado da minha cama, curtindo (n)o calor do Arizona.

Não fui vítima de ansiedade ou crises existenciais durante os preparativos para a viagem. Consegui arrumar as malas três dias antes e rearranjá-las novamente, tirando metade das coisas que tinha pensado em levar (Aliás, supostamente aprendi a fazer a mala perfeita aqui. A questão é que as coisas na mala não ficaram exatamente do jeito que eu imaginava... já já eu conto!). Mesmo assim, as malas estavam pesadas... ah! Só mesmo as minhas costas podem testemunhar o sofrimento pelo qual passaram.

The Luggage Blog

A despedida final fora adiada para o aeroporto. Minha família inteira (papai, mamãe, irmã, tia, primo e até vizinho e sua sobrinha) acompanharam-me ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Dois carros saíram em comitiva pela Marginal Pinheiros, caminho que conhecia e achava mais seguro tomar para não me perder. Estava preocupada que um dos carros tomasse uma rota diferente e minha segunda mala ficasse definitivamente em terras brasileiras. Realmente, não precisei preocupar-me com malas sumindo ou coisas do tipo. Na verdade, a chegada ao aeroporto foi mais emocionante e inesperada do que eu sequer poderia imaginar.

O sol naquele dia de domingo entrava latejante pelo parabrisas do carro. Munida de um GPS e minha vaga lembrança do caminho, guiava meu pai pelas ruas mal sinalizadas da cidade de São Paulo. Como é longe este aeroporto, caramba! O trânsito não atrapalhou em nada, o que foi algo extremamente positivo. No entanto, minha aguçada habilidade em localização e orientação quase nos fez chegar na estrada que vai para o Rio de Janeiro! Nadinha contra minha terra natal, mas meu destino apontava para bem mais longe, waaaay up north!

Mas, pois é. Aconteceu que, já na boca do tubo, perdemos a entrada do aeroporto. Tentando consertar, muito mais à frente, fizemos um retorno para, mais tarde, entrarmos em uma rua errada que nos levava agora de volta para São Paulo! Ah, tão perto mas tão longe! Não conseguia acreditar que perderia o voo mais importante de minha vida daquela maneira tão boba. Esquerda, direita, retorno, placas que multiplicavam-se à minha frente e que não diziam nada de concreto. Comecei a ficar extremamente nervosa, ajudada pelos comentários carinhosamente cheios de escárnio da minha querida irmã, a vontade crescente do meu pai de parar o carro para fazer xixi, a preocupação com o carro atrás que carregava a outra mala e o fato de que estava perdida e faltavam 5 horas para o meu voo decolar. Sim, saí de casa com uma antecedência tal que me dei ao luxo de me perder da maneira mais idiota possível...

Levamos uma hora para chegar à região de Guarulhos e mais outra hora para encontrarmos a rota certa. Chegando ao aeroporto cedo, ainda teria tempo de voltar para casa e me perder novamente. Não, era muito arriscado. Se tivesse saído mais tarde e não tivesse previsto algo tão incrível como isto, talvez não estivesse aqui agora. :/

É, se as coisas não vierem com emoção, não tem graça alguma! Assim que é bom!

Qualquer tensão que a ida ao aeroporto pudesse ter gerado foi embora rapidinho logo depois que entrei na fila do check-in e encontrei meus queridos Fulbrighters! Bom, mas essa história fica para o próximo post. :)



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails