quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Até Logo

Ok, nem vou começar notando o fato vergonhoso de que a continuação do post anterior veio mais de um mês depois que o escrevi. Não vou falar disso. Vamos ao que interessa.

Acho que a primeira pessoa que vi no aeroporto foi o Juliano, depois a Micheli, depois a Jucy, e assim, um a um, o primeiro grupo de Fulbrighters brasileiros a embarcar este ano (tirando a Larissa e a Adriane que já estavam aqui nos EUA) formava a fila no check-in, certificava-se que todos os documentos importantes não tinham ficado em casa e que tudo estava pronto para aquela que seria a maior viagem de nossas vidas! Bom, da minha certamente era.

Como contei anteriormente, toda minha família estava presente. Enquanto seguia a fila com malas mais pesadas que um lutador de sumô (olha só minha tentativa infame de fazer comparações criativas... affe...), papai, mamãe, irmã, primo, titia, todos iam me acompanhando ao lado, dando aquele apoio moral.

Se pudesse, ela traria frango com farofa. Certeza!

Sabe, a família é grande e o preço dos alimentos no aeroporto assusta qualquer turista, quem dirá brasileiros na pindaíba. Assim, para que eventualmente não morrêssemos de fome a ponto de ter que comprar um pão de queijo por R$ 3,00, mamãe veio munida de duas sacolas repletas de maçãs, mexericas, bolachas de água e sal, bolacha doce, água, enfim! Sentir fome e não ter o que comer não era um problema. Olha uma das sacolas aí em cima!

Outra coisas muito legal foi que Jucy, Vivi, Juliano - que já tinham se despedido de suas famílias antes de vir ao aeroporto - se achegaram a nós e ficamos todos ali, uma família só! Vide Jucy que adotou papai e mamãe e os chamava de tio e tia todo o tempo! Sua fofa! Meus pais te adoram! 

Juliano, Jucy, eu e Vivi

A hora do embarque se aproximava e eu sabia que teria que dizer adeus para as pessoas que eu mais amava (amo) nesse mundo. Eu estava relativamente tranquila. Aquele conversê todo, comilância de mexerica e fotos tiradas ao lado de malas e carrinhos no aeroporto aliviaram a tensão da despedida e deixaram o clima muito mais descontraído. 

A hora chegara (com direito a pretérito mais-que-perfeito, porque sou uma professora de português aplicada, rs). A cada abraço que dava nos meus familiares, tentava puxar deles tudo o que vivemos e o que faz com que eles signifiquem tanto pra mim. Queria levá-los comigo, cada pedacinho, cada palavra, todo o amor... tanto amor... (ok, ninguém precisa saber que estou limpando algumas lágrimas do rosto agora... é, já foi dito... tarde demais...).

Eu choro à toa, obviamente. Engana-se porém quem acha que esta característica me foi passada pela linhagem feminina da família. Nada! Aqui o buraco é mais embaixo e só tem mulher-macho, forte, decidida! Mamãe é a prova disso! Gostaria de ser tão forte quanto ela. Meu pai e eu temos muito a aprender em relação a segurar as emoções, ficar firme. Estava assim até abraçar meu pai, dizer que o amava e ouvir um "Eu também te amo, minha filha" pelo silêncio do seu choro quase contido. Impossível de conter. Represa. Cachoeira.




Eu vi meu pai chorando e não aguentei. Só que aquelas lágrimas não tinham tristeza nenhuma. Elas eram minha maneira de dizer o quanto eu os amava e estava eternamente agradecida por ter pais tão maravilhosos, que deram 26 anos de suas vidas por mim, que passaram por tantas dificuldades e provações, que abdicaram de tudo para que, naquele dia, eu pudesse concretizar meu maior sonho. Eu devo tudo o que eu sou e tudo o que eu consegui à dedicação e amor incondicionais dos meus pais, Jô e Fernando. E da minha irmã também, claro. Mesmo sendo chata como ela é. :)


Essa foi a última foto que tiramos juntos antes da partida e a primeira vez que me vi sem meus pais ao meu lado. Bom, fisicamente, claro. Skype tá aí pra isso, né minha gente! Deixe eu também agradecer Tia Gil e Ivan por estarem comigo nesse dia e o Mancha e a sobrinha dele.

"Solteira sim. Sozinha nunca!", como diria Mulher Melancia, hahaha. Não estava sozinha, não. Mesmo completamente partida pela comoção da despedida e o adeus à minha família, sabia que estava cercada de amigos maravilhosos que estariam comigo no começo dessa jornada/aventura/viagem (não consegui sair do clichê natural dessas palavras, sorry. Devia parar de pensar sobre o processo de escrever enquanto escrevo, ou, pelo menos, não escrever sobre isso enquanto estou escrevendo sobre um assunto completamente diferente.)

Duty free shop, sala de espera, conversas, risadas, fotos, expectativas, entrada no avião. Tudo lindo, tudo maravilhoso. No entanto, havia uma pergunta que não queria calar... Cadê a Ana??? Rapaz, a Ana iria conosco até Nova York para a orientação na Universidade de Columbia. Sim, mas cadê a Ana?! Gente, esse avião vai decolar, chamem a Ana pelo altofalante! Bom, finalmente ela apareceu! Só não apareceu em tempo para a foto no avião. Ah, brasileiro tira foto em qualquer lugar. Só faltou a bandeira!

Aline, eu, Micheli, Jucy (frente), Juliano, Vivi e Thiago. Cadê a Ana???

Olha, escrever esse post quase me secou por dentro. Chorei que nem bebê só de lembrar deste dia. Ah, mas esse foi o dia que realmente iria mudar o curso de toda uma vida.

Aguardem cenas dos próximos capítulos.



PS: Sim, hoje é dia 24 de outubro e vai fazer três meses que cheguei na terra do Tio Sam. Centenas de coisas já aconteceram e realmente preciso escrever sobre todas elas. Já devia ter feito isso, claro. Já deveria ter feito milhões de coisas, é sempre assim. Mas bora lá que a gente consegue!

7 comentários:

  1. Excellent ! On attend avec impatience la suite des aventures de Bea aux States ! Bises Jerome

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  2. Aff... Prefiro não contar o tempo senão vou morrer de tanta SAUDADESSSSSS!!

    Espero mesmo que você aproveite de alma esse momento com certeza não é o mais feliz de vida e sim "a porta para sua felicidade".

    Minha amiga, realmente me sinto feliz em dizer estou com saudades porque agora sim esta palavra tem um motivo justo!

    Beijos

    Jóice

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    1. Ai Joiceeeeeeee! Assim eu vou chorar! heheheh

      Beijos mil, amiga! Queria que você tivesse aqui pra eu te mostrar tanta coisa legal! :D

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  3. Ow, coloca um negocinho pra dar like nos seus posts, não sei se dá, mas nos jornais tem.

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  4. Ah, sou eu, Bianca :D

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    1. Ah, não sei se quero atrelar isso ao Facebook não....

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