É difícil que eu consiga escrever sobre os acontecimentos de três meses, cronologicamente, em um curto espaço de tempo. Por isso, entre cada relato, vou falar sobre alguma coisa arbitrária que conta um pedacinho da minha vida aqui no Arizona. Espero que possa montar todo o quebra-cabeças mais rápido, além de pedir redenção pela minha falta de atenção ao blog desde que cheguei aqui. Sim, tenho que admitir que essa ideia foi de um amigo meu - a criatura mais chata na face desta Terra! Tu sais qui tu es! :P
Sempre lutei para diminuir a quantidade de horas que ficava preparando aulas no Brasil. Realmente, nenhum professor pode se dar ao luxo de não trazer trabalho para casa. Fora da sala de aula, temos que corrigir trabalhos, provas, atividades; dar atenção aos alunos com dificuldade e criar um plano de ajuda; lidar com os problemas extra-classe deles (alto grau de ansiedade e stress, situação complicada no trabalho, problemas com a família, cachorro que come lição de casa... a lista só tende a aumentar!). Junto com tudo isso vem a preparação de boas aulas, que sejam compreensíveis para os alunos e que vão ajudá-los a adquirir a língua de um modo divertido, descontraído e efetivo. Por esse motivo, ficar trabalhando nas aulas até muito, muito tarde da noite era rotina.
Aqui, devo dizer que a vida é bem mais tranquila. Apesar de ter muito mais alunos por sala do que nos meus empregos no Brasil, só tenho duas turmas. A cobrança ainda sim é bem grande, já que estão todos aprendendo a língua portuguesa no nível universitário. Estas aulas de línguas são dadas por alunos de pós-graduação que, por trabalharem para o departamento, tem a mensalidade da faculdade toda quitada. Maravilha, não? Depois explico como isso funciona. Estes alunos, chamados de GATs (Graduate Teaching Assistants), trabalham em seus projetos de mestrado e doutorado ao mesmo tempo que dão aulas. Muitos deles reclamam que isso dificulta o desenvolvimento de suas teses e dissertações. Mas, poxa vida, fico comparando com minha vida de professora no Brasil: trabalhava em três lugares, tinha que preparar umas 10 aulas diferentes, perdia um tempo incrível tentando oferecer o melhor pros meus alunos para receber uma ligação cancelando a aula meia-hora antes; ganhava pouquíssimo e ainda tinha que aturar as pessoas ao meu redor dizendo que professor não trabalhava de verdade. Ah, me poupe! (depois de ler essas frases, aquele meu amigo chato vai dizer: "Viu? Eu te falei!")
Bom, toda essa ladainha aí em cima é pra mostrar a foto abaixo. Aqui, ainda fico preparando minhas aulas até tarde. Isso acontece normalmente porque me falta tempo de fazê-lo antes. Prefiriria, claro. Não há nada como a luz do sol para clarear as ideias! Quando termino, coloco tudo que preciso levar dentro da minha bolsa e deixo ali pertinho da cama. No dia seguinte, me arrumo, tomo café e parto pro mundo! O detalhe é que uso para trabalhar a minha bagagem de mão que trouxe do Brasil. Todos que olham me perguntam se eu estou de mudança. :D
Nenhum comentário:
Postar um comentário